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Mercado imobiliário  |  02/05/2012 12h43min

Comprador espera corte de juros para assinar novos contratos de financiamento da casa própria em SC

Como as taxas reduzidas da Caixa Econômica começam a valer só dia 4 de maio de 2012, assinaturas estão sendo postergadas pelos catarinenses

Ao contrário do que se poderia imaginar diante do anúncio de corte dos juros no crédito imobiliário, os catarinenses reagiram suspendendo os contratos de financiamento. Isto porque a Caixa Econômica Federal começa a trabalhar com as novas taxas somente no dia 4 de maio de 2012. A previsão do mercado imobiliário para os primeiros 20 dias de maio, na Grande Florianópolis, é de uma queda de 30% no número de contratos.

Divulgação

Marcos Alcauza, diretor comercial da Brognoli Negócios Imobiliários, empresa líder de mercado em Santa Catarina, explica que os consumidores estão postergando a compra financiada de imóveis. Segundo ele, em apenas três dias, desde 25 de abril de 2012, quando a Caixa anunciou a redução das taxas, 10 clientes já suspenderam contratos de financiamento praticamente fechados.  

"Quem está pensando em comprar um imóvel usando o crédito imobiliário vai esperar pelos juros mais baixos. E quem já havia fechado contratos está protelando a assinatura", afirma Marcos, acrescentando que, além da queda nas taxas, os consumidores estão esperando pela reação dos outros bancos.

O gerente regional da Caixa, Marcelo Moser, fala em diminuição no ritmo de contratações para os próximos dias, mas aposta no aquecimento do mercado imobiliário após a entrada dos novos juros. Depois do anúncio de redução das taxas, a estimativa para o valor dos financiamentos do banco em 2012 aumentou em 5%.

De acordo com o gerente, o crédito imobiliário vai significar 11% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2014. Hoje, representa 5%. O avanço deve ser ainda maior em SC, que, segundo ele, tem uma capacidade de absorção dos financiamentos o triplo maior do que a do Brasil. O diretor comercial da Brognoli espera que o aquecimento das vendas, no médio prazo - em dois ou três meses - seja de 10% a 15%.

Construtoras estão otimistas
As construtoras catarinenses estão acreditando no governo federal e esperam um aquecimento do setor imobiliário por causa da redução do juro no financiamento da casa própria. Os clientes mais beneficiados devem ser aqueles com renda mensal entre R$ 1 mil e R$ 2 mil e os imóveis estarão na faixa dos R$ 100 mil até R$ 200 mil, afirma Rogério Cizeski, presidente da Criciúma Construções, maior empresa do setor em Santa Catarina.

Ele declara que com o anúncio do corte nos juros desengavetou três projetos. Um empreendimento fica em Tubarão, mas os mais significativos são os de Sombrio e Rio do Sul, porque marcam a entrada da construtora nestas cidades. Rogério revela que a medida também terá impacto nos resultados da empresa. Até o momento, o crescimento está em 17% em relação ao ano passado e a expectativa era terminar 2012 com ganho de 15%. Após a intervenção do governo, ele espera chegar aos 20%.

O diretor da AM Construções, de São José, Douglas Hillesheim, afirma que se os juros se mantiverem no novo patamar, os concorrentes serão obrigados a se adequarem a uma nova realidade. Hoje, as empresas do setor cobram INPC mais 0,8% (5,77%). Mas diferente da Criciúma Construções, Douglas não planeja colocar em prática projetos que estão na fase de análise. A decisão da AM Construções é aguardar como será a reação do mercado.

O presidente do Sindicato da Indústria da Construção (Sinduscon) da Grande Florianópolis, Hélio Bairros, também prefere aguardar. Argumenta que é preciso saber se as taxas menores chegarão aos clientes. Explica que a liberação de recursos da casa própria é mais criteriosa porque a margem de lucro é menor. Por isso, os bancos analisam bem para quem vai receber o crédito.



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JANAINA CAVALLI E FELIPE PEREIRA  -  DIÁRIO CATARINENSE