Arquitetura e decoração | 23/07/2010 08h10min
Nem sempre decorar a casa demanda um grande investimento. Muitos dos nossos objetos podem ser reutilizados ou transformados, trazendo novos ares para o ambiente. Para comprovar isso, o Pense Imóveis levou a arquiteta Tânia Bertolucci até a sede do Mensageiro da Caridade, em Porto Alegre. No local, móveis doados podem ser reformados e vendidos por valores acessíveis.
Segundo a arquiteta, reciclar permite criar objetos únicos e com estilo próprio. “Tudo que é feito por nós tem a dose do cuidado que imprimimos. Nada tem tanta graça como mexer nos móveis, ter história para contar. Apenas comprar não deixa história”, garante. Além disso, é uma maneira de demonstrar responsabilidade ambiental. Sendo assim, veja dicas de móveis à venda no Mensageiro da Caridade e que poderiam ganhar nova aparência ou utilidade.
A mesa com tampo de vidro pode ser usada em um apartamento pequeno. A arquiteta, no entanto, trocaria as cadeiras e usaria modelos menores, mais proporcionais à mesa. O pé precisaria ser renovado, com uma nova pintura após ser lixado. O valor da mesa é R$ 80.

Para esconder as partes lascadas na borda do vidro, além de protegê-lo, uma ideia é solicitar a um marceneiro que coloque um fechamento de madeira. O custo do serviço é de aproximadamente R$ 150. Outra possibilidade é utilizar a estrutura de rodapé em poliestireno, que é flexível e pode ser aplicado em casa.

Já nesse outro exemplo, Tânia pintaria o pé da mesa com uma cor forte e a colocaria em uma varanda. Quando o vidro está muito lascado, uma alternativa é encomendar um tampo novo. O valor dessa mesa é de R$ 100.

O dono da mesa também pode comprar massa especial para vidro, disponível em vidraçarias, e preencher as falhas as casa mesmo. Em cima, a arquiteta sugere a colocação de uma película estampada, listrada ou escura – nunca transparente, para não mostrar as imperfeições. Ainda é possível o uso de um tecido que ficaria entre dois tampos de vidro.

Para a mesa branca, a sugestão foi trocar as cadeiras, por exemplo, por essas de palha, que custam R$ 10 cada. Além de precisarem de uma pintura, poderiam ter a palha trocada por um estofado. Ou então, a palha passa por um conserto e ganha uma almofada com tiras para prender na madeira.

Essa mesa de R$ 30 foi considerada um achado e pode ser usada tanto como central quanto lateral. A parte de cima precisaria passar por um polimento e por pintura com tinta escura. O pé poderia receber uma cor forte, como laranja ou verde, sendo que a escolha deve seguir a harmonia do ambiente. “Uma sala monocromática permite o uso de mais ousadia”, garante a arquiteta. Tirando 10 cm da altura, ela ficaria ideal para o centro da sala.

Outra opção para a lateral é essa mesinha de estilo antigo. À venda por R$ 10, daria mais trabalho para reformar. A dica é utilizar massa de preenchimento, tratar contra cupins, lixar a pintar.

Para combinar, em um canto intelectual da casa, a sugestão é essa cadeira art nouveau. Além de melhorar o acabamento, com lixa fina e selador, poderia ter o couro trocado – ou, talvez, apenas bem limpo. O modelo também é ideal para um escritório.

Mais uma combinação possível é com essa poltrona, com estilo dos anos 30. Após uma troca de tecido, o móvel ficaria novo em folha.

“A gente sempre precisa de um lugar para pendurar o casaco”, lembra a arquiteta. Esse cabideiro de R$ 20 resolveria bem o problema, colocado na entrada de casa.

A máquina de costura antiga, posta sobre um aparador, ganha status de objeto de arte no hall de entrada.

Para o quarto, esse lustre poderia ser transformado em uma espécie de abajur. Aumentando sua corrente, ficaria pendurado ao lado da cama. Para enfeitar, uma tira de tecido ou de cristais tramada na corrente deixaria o objeto mais leve. O objeto pode ser adquirido por R$ 25.

Mas se a ideia é iluminar a sala, películas coloridas dariam nova vida para esse modelo. O ambiente ganharia ares de anos 60. Como as lâmpadas ficariam para cima, devem ser de alta potência, por exemplo, fluorescentes de 23 watts ou incandescentes de 60 watts. A distribuição da luz se daria a partir do reflexo no teto.
O Mensageiro da Caridade recebe móveis usados diariamente. Os interessados em doar devem ligar para a instituição, que busca nas residências em Porto Alegre e Região Metropolitana. Os artigos são avaliados e podem passar por reforma na Oficina-Escola do local. Em média, cem jovens maiores de 16 anos e mães da comunidade aprendem a consertar móveis e utensílios domésticos.
Para Tânia, a importância do reaproveitamento é muito mais do que economia. “Se pudermos rever, reler e reaproveitar, estamos cuidando do meio ambiente. E isso vai voltar para nós um dia. É o poder de criação do ser humano”, enfatizou.