Pintura na fachada exalta a beleza exterior

Escolha de cores e aplicações de texturas agregam estilo e valorizam arquitetura de fachadas de residências

Assim como na moda do vestuário, quando a roupa define o estilo e as preferências do usuário, o tratamento de fachada também se torna essencial para a estética arquitetônica. Com experiência de quem trabalha há mais de 30 anos com projetos de residências, a arquiteta Zaira Hoffmann Schlieper afirma que o uso de cores e texturas contribui não somente para agregar beleza, mas também para reafirmar a proposta da construção.

– Como faço muitas casas na Serra, as pessoas buscam mais o estilo rústico com pintura envelhecida. Então, já trabalho o reboco da construção, com massa de cimento, cal e areia para criar uma textura mais natural antes de iniciar a aplicação da cor desejada pelo proprietário – diz Zaira, ao explicar o recurso empregado na fachada desta residência estilo toscana, com pintura amarela envelhecida (alto), erguida em Canela.

pintura nas fachadas pense imóveis

Antes de receber a tinta acrílica – ideal para áreas externas pela resistência às intempéries – o reboco foi preparado com uma demão de selador branco como fundo. Após pintar duas camadas da cor amarela, o efeito antigo foi conquistado com a aplicação de gel e esponja.

– O gel tem a tonalidade mais escura do que a cor escolhida e o excesso foi retirado com uma esponja para dar o visual manchado. Também é possível utilizar tintas com texturas prontas para fachada, mas não fica tão natural – argumenta a profissional.

De olho no estado da parede
Para Plínio Albuquerque, especialista em pinturas especiais de uma marca de tintas com fábrica em Gravataí, o estado da parede também pode influenciar na qualidade da pintura e na escolha do tipo de acabamento da fachada.

– Se a parede já tem tinta, é preciso lixar e corrigir as imperfeições antes da aplicação. Se há bom nivelamento de reboco ou massa acrílica, somente a pintura é capaz de dar um excelente efeito decorativo. Caso contrário, a textura pode ser uma recurso para disfarçar esses defeitos e contribuir com o aspecto estético do projeto – afirma Plínio.

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Com reboco riscado, pintado com tinta acrílica rosa-antigo, esta casa estilo italiano ganhou o visual romântico desejado pelos proprietários. O tom verde foi eleito para a tinta esmalte das veneziadas.

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Na residência de linhas retas e amplos panos de vidro, a tinta branca com suave textura na fachada confirma o estilo clean proposto para a edificação.

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Depois de passar por uma reforma de fachada, assinada pela arquiteta Simone Brasil, esta morada mostra o tom neutro da acrílica cinza sobre a textura tipo grafiato, aplicada com massa acrílica granulada. Esquadrias, molduras e beirais na cor branca contribuem para a estética contemporânea do projeto.

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O estilo rústico também surge neste chalé, em Canela, com pergolados e deque de madeira ipê tratada. Nas paredes, a textura com massa de cimento, cal e areia média é tingida na tonalidade amarelo-queimado.

Dicas
> As tintas mais indicadas para paredes externas são as acrílicas. O acabamento semibrilho é mais resistente, mas realça as imperfeições, enquanto a fosca disfarça melhor os defeitos, mas tem menor resistência à ação do sol e da chuva.

> A parede deve estar limpa, seca e em bom estado, sem gordura, mofo, infiltrações, rachaduras e partes soltas. É preciso corrigir esses problemas antes da pintura.

> Prepare antes a superfície com selador, fundo preparador ou massa e tinta acrílica de acabamento. Aplique a tinta conforme as recomendações descritas na embalagem.

> Em paredes com bom nivelamento de reboco ou massa acrílica, somente a pintura já proporciona bom resultado. Quando há imperfeições que comprometam o aspecto estético da fachada, a textura contribui com a beleza e padronização do projeto.

Fontes: arquiteta Zaira Schlieper; Plínio Albuquerque, Especialista em Pinturas Especiais da Tintas Renner; Kleber Tammerik, gerente de Serviços ao Mercado da Suvinil e William Alves da Silva, supervisor de Suporte Técnico da AkzoNobel/Coral.

Na ponta do pincel
Já sabemos que o preparo da superfície aumenta a durabilidade da tinta e que, antes de pintar, além de limpar, se for uma parede ou fachada antiga, é preciso passar antes o fundo, que sela a superfície, aumentando o rendimento da pintura. Também está claro que as texturas ajudam a disfarçar imperfeições do reboco das paredes das fachadas – principalmente entre os andares e nas emendas.

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A arquiteta Cynthia Garcia, do escritório BG Arquitetura, como Mádia e Rosandra, ressalta que há produtos, como o teflon, que previnem o desbotamento da tinta. E outras substâncias conferem elasticidade, importante na pintura de fachadas, pois os materiais dilatam e se retraem com a mudança de temperatura, alerta. A arquiteta lembra de considerar a resistência dos produtos à umidade.

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No aspecto estético, numa fachada, o conceito de que claro aumenta e escuro diminui, é discutível para Cynthia:

– Aplicado ao pé da letra, pode dar efeito contrário: em vez de diminuir, aumentar – ressalta, e acrescenta que, como toda edificação tem linhas próprias, conceito e entorno, a solução tem que fazer parte de um contexto.

Dicas
> Tintas escuras não rendem mais, porque precisam de mais demãos (a qualidade da tinta está ligada à sua capacidade de cobertura).

> Não deixe o pintor diluir a tinta sem que isso esteja especificado no produto: assim a tinta não rende mais, ao contrário, exige novas demãos (e mais um dia de secagem e de mão-de-obra do pintor). O normal é passar duas demãos. Para cores escuras, pode ser usado fundo pigmentado, que é uma tinta preparatória, para selar a parede, que pode ser pigmentada para ajudar a cobrir. O custo deste material é inferior ao da tinta.

> A tinta que melhor se aplica para área expostas a vapor é o esmalte epóxi, mas requer aplicação cuidadosa, de profissional experiente, pois exige catalização antes do uso e requer fundo epóxi. Na cozinha, pode ser usada a tinta acrílica acetinada, mas no banheiro de uso diário, não – terá pouca durabilidade.

> Combinação de uma outra parede de cor diferente é um excelente recurso, pois paredes com cores especiais ressaltam recantos e organizam o espaço. No teto, para ambientes com forro de gesso ou com rodaforro de acabamento, prefira a cor branca ou tons offwhite como regra geral, mas há o recurso do uso de cores fortes que imprimem personalidade em forros reentrantes. No caso de um espaço onde o teto seja laje e não tenha rodaforro, é preferível que tudo seja pintado da mesma cor, evitando recortes mal feitos. A troca de cor também evidencia prováveis defeitos de nivelamento.

Fonte: arquiteta Cynthia Garcia, BG Arquiteura

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Fonte: FERNANDA DUARTE - CASA&CIA  -  Zero Hora
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